Rogéria, um nome que ecoa na cultura brasileira, representa não apenas uma artista, mas um símbolo de resistência e diversidade. Sua trajetória fascinante e cheia de desafios a transformou em uma figura admirada, conhecida por seu talento e coragem. Neste artigo, vamos explorar a vida de Rogéria, suas conquistas, e, claro, como ela faleceu, trazendo à luz a importância de seu legado.
Nascida como Astolfo Barroso Pinto em 25 de maio de 1943, em Cantagalo, Rio de Janeiro, Rogéria teve uma infância marcada por mudanças e descobertas. Após a separação dos pais, ela se mudou para Niterói, onde passou os primeiros anos ao lado de seus avós e irmãos. Desde cedo, Rogéria demonstrava interesses diferentes dos meninos de sua idade, preferindo brincar com bonecas e encenar personagens femininos.
A infância de Rogéria foi repleta de desafios, especialmente em relação à sua identidade de gênero. Mesmo enfrentando a resistência de seu padrasto, sua mãe sempre a apoiou, garantindo que sua infância fosse respeitada. Essa proteção familiar foi essencial para que Rogéria desenvolvesse uma forte autoconfiança.
Em 1957, Rogéria se vestiu de mulher pela primeira vez durante o carnaval. Essa experiência não apenas marcou sua transição, mas também o início de sua carreira artística. Com apenas 14 anos, ela começou a se apresentar como transformista, destacando-se por seu talento e carisma.
Foi como maquiadora na TV Rio em 1962 que Rogéria realmente começou a brilhar. Ela fez amizades importantes na indústria, como com Emilinha Borba e Elis Regina, o que a ajudou a conquistar um lugar no cenário artístico brasileiro. O seu reconhecimento cresceu e, em 1964, durante um concurso de fantasias, o público a aclamou com o nome que se tornaria icônico: Rogéria.
Entre 1971 e 1973, Rogéria viveu em Paris, onde se destacou no famoso cabaré Carrousel. Essa experiência foi crucial para sua carreira, pois ela não apenas solidificou sua reputação internacional, mas também adotou sua identidade de forma plena, vestindo-se como Rogéria em todos os momentos, mesmo fora dos palcos. Sua fluência em francês e suas performances cativantes encantaram o público europeu.
Após retornar ao Brasil, Rogéria continuou a brilhar na televisão e no teatro, recebendo diversos prêmios e homenagens. Ela se tornou uma presença marcante na televisão, especialmente a partir de 1982, quando participou do programa Cassino do Chacrinha e, mais tarde, como repórter do programa Viva Noite em 1986.
Rogéria não se destacou apenas como artista, mas também como uma ativista pela aceitação da comunidade LGBT no Brasil. Seu carisma e presença de palco inigualáveis a tornaram uma figura querida entre o público. Ela atuou em diversos filmes, incluindo "O Homem que Comprou o Mundo" (1968) e "O Gigante da América" (1978), e participou de aproximadamente doze produções cinematográficas ao longo de sua carreira.
Nos seus últimos anos, Rogéria continuou a ser uma presença constante na televisão, realizando participações especiais em novelas e minisséries da Rede Globo. Sua última aparição foi em 2016, no programa "Tá no Ar: a TV na TV", e como comentarista no "Bastidores do Carnaval" em 2017.
Apesar de sua vitalidade, a saúde de Rogéria começou a se deteriorar em 2017. Ela foi internada várias vezes com infecções urinárias e outras complicações de saúde. Em 13 de julho de 2017, Rogéria foi hospitalizada devido a uma infecção generalizada, passando duas semanas internada antes de retornar para casa.
Menos de um mês depois, em 8 de agosto de 2017, ela foi novamente internada, desta vez no Hospital Unimed-Rio, devido a um quadro de infecção urinária. Sua saúde oscilou entre melhoras e pioras durante sua internação, e após 27 dias, Rogéria não resistiu e faleceu em 4 de setembro de 2017, vítima de um choque séptico.
O corpo de Rogéria foi velado no Teatro João Caetano, em uma cerimônia íntima, apenas para amigos e familiares. Entre os presentes estavam artistas renomados, como Glória Pires e Leandra Leal, que vieram prestar suas últimas homenagens. Rogéria foi enterrada no Cemitério Municipal de Cantagalo, sua cidade natal.
Rogéria deixou um legado inestimável para a cultura brasileira. Sua arte, seu ativismo e sua alegria de viver continuam a inspirar gerações. Ela não é lembrada apenas como uma artista, mas como uma figura que desafiou normas sociais e abriu caminho para a visibilidade da comunidade LGBT no Brasil.
Rogéria foi mais do que uma artista; ela foi uma pioneira que lutou pela aceitação e pela diversidade. Sua vida e obra nos lembram da importância da autenticidade e da coragem de viver a verdade de cada um. Ao refletirmos sobre sua trajetória, somos inspirados a continuar sua luta e a celebrar a diversidade em todas as suas formas.
Rogéria, com sua arte e coragem, sempre será lembrada como uma das maiores ícones da história do Brasil.
